Impacto nos preços: o que esperar
A lógica econômica dos biossimilares é direta. Quando um medicamento de referência perde a exclusividade de mercado, vários fabricantes passam a produzir versões, a oferta aumenta e os preços caem. Nos Estados Unidos, biossimilares de insulina, por exemplo, chegaram a custar até 50% menos do que o produto original após a entrada de concorrentes.
Para os agonistas de GLP-1, o impacto ainda não se materializou de forma significativa porque as patentes principais ainda estão vigentes. Mas especialistas do setor farmacêutico estimam que a concorrência pode reduzir os preços em 30% a 60% quando os primeiros biossimilares efetivamente chegarem ao mercado global.
Existem, porém, fatores que complicam essa previsão. A produção de proteínas biológicas é técnica e cara. Diferente de comprimidos, que podem ser fabricados em grande escala com facilidade, os biossimilares exigem infraestrutura industrial complexa e expertise especializado. Isso significa que o número de fabricantes capazes de competir será menor do que no mercado de genéricos convencionais, e a queda de preços provavelmente será mais moderada.
Outro ponto relevante é a aceitação médica. Muitos profissionais de saúde ainda têm receio de prescrever biossimilares, mesmo quando são aprovados pelas agências reguladoras. Esse ceticismo vai diminuindo à medida que mais dados reais de uso vão sendo publicados, mas o processo leva tempo.